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A FORÇA DO ENTORNO

Lenora de Castro Barbo 
Maria Alice Dechichi 
Roseli Senna Ganem

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Introdução

                          Brasília, também idealizada para estimular o desenvolvimento do interior brasileiro, alterou, substancialmente, tanto a base produtiva regional, como a circulação de bens e serviços e o fluxo migratório no território nacional.

                         Na década de 70, quando Brasília passou a desempenhar plenamente suas funções de centro político-administrativo do país, dois movimentos se consolidaram: o primeiro consistiu na fixação de parcela expressiva do contingente migratório dirigido ao Distrito Federal – DF em municípios limítrofes; o segundo movimento foi a ampliação da área de influência direta de Brasília, a partir de forte expansão dos setores comercial e de prestação de serviços, disputando com Goiânia a condição de principal pólo regional.

                         O crescimento desordenado nas cidades vizinhas do Distrito Federal transformou a Área do Entorno em periferia direta de Brasília, totalmente dependente socioeconomicamente, com o surgimento de cidades-dormitório e o recrudescimento dos problemas sociais.

                         Em 1975 fez-se a primeira tentativa de o Poder Central reverter o quadro que prenunciava, de forma inequívoca, as questões com as quais hoje nos defrontamos. Sob a coordenação da SUDECO, surgiu o Programa Especial da Região Geoeconômica de Brasília - PERGEB, que perseguia três metas básicas: abertura de novas oportunidades de emprego nas áreas de origem dos fluxos migratórios, melhoria no abastecimento de Brasília quanto a produtos agrícolas e atenuação da pressão sobre os equipamento urbanos e serviços sociais do Distrito Federal.

                         A Região Geoeconômica de Brasília abrangia uma área de 237.211 km², era integrada pelo Distrito Federal e por mais noventa e três municípios, sendo oitenta pertencentes a Goiás e treze a Minas Gerais.

                         Ao final dos anos 70, no entanto, constatava-se que os objetivos  sociais relacionados à absorção da população migrante, via oferta de empregos, fixação no campo e nas cidades da Região, não chegaram a ser atendidos na forma pretendida. Brasília continuava a receber levas consideráveis de migrantes e a representar a opção de equipamentos de saúde, educação e mercado de trabalho, para a maior parte das cidades daquela Região. Segundo o Censo Demográfico de 1980, a população residente superava a marca de dois milhões e meio de habitantes. Destes, 45% residiam no Distrito Federal.

                        Em 1981, a Superintendência de Desenvolvimento da Região Centro-Oeste - SUDECO, juntamente com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano - CNDU, formulou uma nova proposta de estratégia espacial exclusivamente voltada para os  municípios mais próximos a Brasília.

                         Foram selecionados trinta e três municípios, sendo vinte e cinco do Estado de Goiás e oito pertencentes ao Estado de Minas Gerais. Juntos com Brasília, esses municípios passaram a integrar a Área do Distrito Federal e Entorno, com superfície total de 99.442,86 km². Já à época, ali viviam cerca de 2,6 milhões de habitantes. Essa área foi institucionalizada na assinatura de “protocolo de intenções” entre os Governos de Goiás, de Minas Gerais e do Distrito Federal. Como resultado desse acordo, foram criadas Secretarias do Entorno no DF e em Goiás, tendo, ainda, os prefeitos daqueles municípios se articulado politicamente em torno da Associação dos Municípios Adjacentes a Brasília - AMAB.

                         Programas, projetos, convênios marcaram as duas últimas décadas. Ainda assim, não se logrou alcançar os objetivos propostos. As condições para atendimento de saúde, educação, segurança, emprego e muitos outros itens não evoluíram suficientemente para reverter o cenário esboçado nos anos setenta.

                         A existência de restrições à ocupação e uso do solo urbano no Distrito Federal junto com os altos custos da terra, dificultou a fixação de boa parte das camadas mais humildes do fluxo migratório direcionado para a Capital. A alternativa para moradia foram os municípios do Entorno, onde não existiam dificuldades para o parcelamento e comercialização de terras.

                         O crescimento demográfico explosivo e a flexibilidade normativa do uso do solo nos municípios limítrofes do DF, possibilitaram ações dos agentes imobiliários na implementação dos assentamentos urbanos de baixa renda, num processo dissociado da existência de um programa de desenvolvimento ou de geração de empregos, o que acarretou não só o agravamento dos problemas já existentes, mas a antecipação de outros, como é a questão do abastecimento de água para o Distrito Federal e a degradação ambiental.

                         Há quase uma década, o Distrito Federal viu esgotado o binômio construção civil e salário do servidor. As fontes que sustentavam essas atividades econômicas esgotaram-se. Por isso, hoje, a Área do Entorno não é apenas a principal porta de entrada para o DF. É, também, a porta de saída para os inúmeros candangos que fogem da crise (15).


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